29/09/2015 - Personalidade
Um jovem radical



 Um jovem radical

A emocionante jornada do menino que supera limites e faz da vida um exemplo a ser seguido.

Por Vitor Bueno

   Cadeirante, em razão da má formação congênita, Mateus de 14 anos, não movimenta os membros inferiores, mas isso não impede que ele faça o que mais gosta: Praticar esportes. E não são poucas as práticas esportivas, principalmente, quando se trata de esportes radicais. Adriana Almeida, mãe de Mateus e sua grande companheira, relata que o filho sempre gostou e praticou esportes. “Mateus já praticou vários esportes. Ele praticamente já nasceu atleta, na luta pela sobrevivência. Começou tudo aos 3 meses de idade pela natação. Fez equoterapia no RCG por dois anos, depois fez basquete em cadeira de rodas no Hospital Sarah. Aos 5 anos fez tênis, na academia de tênis, na época era o projeto Inserir, pena que acabou. Depois fomos para o CETEFE, que funciona na ENAP, onde fez Natação novamente, Badminton , Arco e Flecha. Já participou do projeto Basquete em cadeira de rodas pelo ICEP Cultural. Já participou de corrida de rua em Águas Claras, onde ganhou medalha e troféu. Já fez uma pequena participação no Parkour, quase pirei! Um certo dia ele mostrou interesse pelo Skate e me pediu um, e me perguntei: Como ele vai andar de skate? Comprei um skate de dedo e dei pra ele. Nossa, nunca vou me esquecer daquele olhar de decepção daquele skatinho miniatura. Então comprei um skate de verdade e hoje ele é conhecido como “Mateus, o skatista”. Mas, não parou por ai. Vimos uma matéria sobre o SUP (Stand Up Padle) adaptado no parque das Garças e fomos lá conhecer. Fomos tão bem recebidos por pessoas carismáticas e dedicadas (projeto liderado por Daniel Badke e Jerônimo Santoro), e quando o Mateus fez a aula experimental vimos que ele tinha jeito para este esporte. Hoje vamos ao Parque das Garças todo sábado e domingo. Só não vamos quando não dá mesmo. Lá o Mateus experimentou além do Sup adaptado, o Caiaque, O Wake Surf, Kite Surf, Kite Controle ...e o mais legal disso tudo, é um projeto gratuito! Ele participou da 1a etapa do Circuito do DF de SUP, Ganhou medalha e troféu também. E no dia 19 de setembro vai participar da 2ª etapa. No Sarah (QL 11/13) atualmente faz basquete e canoagem. Agora, ele começou uma nova experiência, vela adaptada no Cota Mil. Lá, eles também atendem pessoas com deficiência e o mais importante, também é um projeto gratuito.”

   O cotidiano deste jovem é igual ao dos meninos de sua idade. Para sua mãe, o alto astral do filho, que começou a andar de cadeira de rodas aos 3 anos, é um estímulo e um exemplo para os colegas de escola tratarem os “diferentes” com maturidade.

   Acessibilidade

Moradores da cidade de Águas Claras, Adriana faz um desabafo, “Em Águas Claras, tem muita coisa que precisa ser melhorado. A acessibilidade é muito precária e dificulta o livre trânsito de pessoas com deficiência.  Eu, particularmente, não me sinto segura em deixar o Mateus sair sozinho pela cidade. Quando saímos encontramos rampas mal feitas, sem contar as vezes que encontramos carros parados em cima das calçadas, dificultando o passeio. E também a falta de consciência em relação as vagas preferenciais. De vez em quando a gente encontra um carro estacionado, que não tem a credencial.” Questionada sobre a acessibilidade no bairro do Lago Norte, Adriana foi pontual dizendo que no Parque das Garças, onde fica a Raia Norte e existe um projeto para pessoas com deficiência, seria a garantia de encontrar vagas preferenciais no estacionamento próximo a entrada e o trajeto até o lago. O que hoje não existe! “Para melhorar seria a acessibilidade, não custa sonhar. Seria o nivelamento de vias e calçadas, construção de rampas adequadas, sinalização no chão que alerta para obstáculos, pontos de ônibus adaptados. Lembrando que a acessibilidade não é apenas para pessoas com deficiência física, também com deficiência visual, mobilidade reduzida. Conscientizar para não ocuparem as vagas preferenciais, não só Águas Claras, mas todos os lugares. Imagine um cego andando em Águas Claras?...”diz Adriana.

Fica a dica para as autoridades competentes tomarem providências.

Pistas de skate que Mateus frequenta:

Skate Parque de Águas Claras, perto da Estação Concessionárias. Ele frequenta também o NES núcleo escola de skate, no Shopping Metrópole. Já foi a pista do Guará, do Núcleo Bandeirante, Cruzeiro, perto do terraço shopping. Na praça do DI, mas derrubaram e até hoje não foi reconstruída. Frequenta também o Setor Bancário e o Museu da República, onde são promovidos encontros com skatistas. E o Eixão, na altura da 115 norte, onde ficam os Longbrothers.

Raia Norte: Situado dentro do Parque das Garças no final do Lago Norte e oferecem aluguel de pranchas de SUP. “O lugar é bonito, mas o que mais me chamou atenção foi o projeto deles com os cadeirantes, que podem fazer  o SUP como todo mundo, lógico adaptado. É o projeto  Sup-eração, como pode ser melhor chamado. É uma experiência muito gratificante, e eu fico muito emocionada quando vejo o Mateus lá no meio do lago remando. É uma sensação de liberdade pra ele, naquele momento. E quando o Daniel faz aquelas loucuras com ele então, vejo a alegria estampada no rosto dele. As loucuras que digo são o Kitsurf, Wakesurfe e por ai vai... Você deve estar se perguntando: Adriana e você não tem medo de deixar o Mateus participar de tudo isso? Não, não tenho. E se tivesse procuraria não passar esse sentimento para ele. Uma vez vi uma frase assim, “se der medo, finge que tem coragem  e vai com medo mesmo, mas desistir: nunca!

O Mateus inspira SUPERAÇÃO e você, Adriana, inspira DEDICAÇÃO. Os dois juntos inspiram AMOR! Mãe e filho numa lição de vida. Qual a mensagem que vocês querem passar para os leitores do jornal e qual o sonho mais radical?

Adriana: Ninguém faz nada sozinho, sempre vai ser preciso uma palavra de apoio, um incentivo, um gesto de compreensão e uma atitude de amor. Com amor, as coisas ficam mais fáceis, os caminhos mais claros e os medos vão embora. Às vezes eu choro de emoção, dou gargalhadas, mas sempre estou presente e com um sorriso e um abraço faço o Mateus acreditar que vale a pena continuar. Não vou dizer que é fácil, não é ...Mas um dia, olharemos pra trás e diremos que valeu a pena! Então, não desista dos seus sonhos, levante e corra atrás, você pode e você consegue! Uma música que é muito a cara do Mateus “Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem... Ou que seus planos nunca vão dar certo... Ou que você nunca vai ser alguém... (Legião Urbana). E o sonho mais radical é saltar de Paraquedas!! Junto comigo, é claro, diz Adriana.

 

 

 




| Mais
Comentários
Comente
Nome:

Email:
não será publicado
Comentário:

Chave:
Enquete
 
Você é a favor de Barreiras Eletrônicas ao longo da Avenida Araucárias?




Votar    Ver resultados
 
Jornal de Águas Claras
© Todos Direitos Reservados