21/08/2014 - Esporte
A BICICLETA



Em um momento delicado na transformação cultural em relação à mobilidade urbana, faço algumas considerações pertinentes à minha paixão, a bicicleta.

Por Márcio Padilha

Primeiramente, acredito que a maioria das pessoas não conhece o significado da bicicleta para quem é mesmo apaixonado, muito menos o que ela trás de benefícios e os sentimentos que nutrimos pela “magrela”. Vou tentar explicar:

Dizem que o Brasil é o país do futebol, mas arrisco dizer que o Brasil é o PAÍS DA BICICLETA, pois é o sonho de toda a criança ganhar uma bike em uma determinada fase da vida. Muitos deixam esse sonho morrer, seja por falta de incentivo, por medo, por influência de pessoas que não sabem andar, pelo trânsito, por falta de tempo ou mesmo por não terem oportunidade de ter uma bicicleta, triste realidade.

Para os que vivem esse mundo à parte, não é tarefa fácil explicar um sentimento intangível como aqueles que sentimos pelas pessoas ou animais, mas que soa estranho quando se trata de um objeto. Tomo a liberdade para citar Cazuza, "...só entende quem namora...”.

“Ela” tem um local especial dentro de casa, muitas vezes fica pendurada na parede da sala, como se fosse uma obra de arte; certamente terá um local reservado na varanda ou um armário trancado para ninguém tocá-la, o que costuma causar alguns conflitos nas melhores famílias.

Alguns dos sentimentos que a bike representa estão ligados ao lado direito do cérebro, associados às emoções e imaginação, por isso a dificuldade de ser explicado.
O melhor é senti-lo, como a sensação de liberdade e de realização quando estamos em cima da bike, a sensação de bem estar que nos torna uma espécie de super-heróis, nos dá um poder diferente, trás alegria, nivela todos os usuários a uma mesma idade. Costumo dizer que em cima de uma bicicleta o ciclista não tem idade, e isso é, ao mesmo tempo, mágico e louco.
Tão louco que conheço muitos ciclistas que colocam nomes em suas bicicletas, como: Noivinha, Xiquitita, Trovão Azul, Freedom, entre outros, chegando ao ponto de emprestar o carro para o amigo, mas emprestar a bendita “nem que a vaca tussa”.

É sempre bom relembrar os benefícios diretos que a prática proporciona: diminui o estresse e os riscos de doenças coronarianas, melhora a qualidade de vida e o sono, ajuda a combater a obesidade e a pressão alta, e outras dezenas de vantagens que muitos já sabem.

Quando entramos neste maravilhoso mundo mágico, esquecemos qualquer problema ou dificuldade, nos transportamos para outra dimensão, nos conectamos com outro universo. Difícil exigir compreensão de quem não faz a mesma “viagem” e, normalmente, num embate entre “ou ela ou eu” o resultado não é favorável a quem faz a pergunta.

marcio-padilhaQuando falamos em mobilidade urbana, temos que entender esse mundo “maluco” para criar ações concretas que tragam soluções.

Qual o maluco apaixonado que vai deixar a “Xiquitita” em um bicicletário que não tenha segurança? Outro dia, em um evento em Brasília, a organização disponibilizou um local com grade e tenda para os participantes irem com suas queridinhas (as bikes) e quando chegaram lá se depararam com uma placa dizendo “não nos responsabilizamos pela sua bicicleta”. Não entendi muito bem qual era o propósito do espaço, mas sempre lembro que estamos em um processo de mudança de cultura e por isso parabenizo a ação, pois muitos irão aderir a esse conceito, independentemente do valor e marca da bike - o valor está no sentimento e isso NÃO TEM PREÇO.

A bicicleta vai revolucionar um momento em que se inicia o processo de mobilidade urbana na cidade e a utilização desse “equipamento” que mexe com a imaginação de quem o pratica.

Sejam bem vindos a uma nova era!

Márcio Padilha

INFORMAÇÕES:  WWW.BRASILIAAMIGADABIKE.COM.BR  - EMAIL: brasiliaamigadabike@gmail.com




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