15/04/2014 - Esporte
O VEÍCULO DO FUTURO JÁ CHEGOU FAZ TEMPO: A BICICLE



O VEÍCULO DO FUTURO JÁ CHEGOU FAZ TEMPO: A BICICLETA!

 

Entrevista com Márcio Padilha, especialista em cultura da bicicleta.

 

    Nas últimas duas décadas, construímos um estilo de vida que nos levou ao esgotamento. O caos no trânsito, a poluição, o estresse, a falta de tempo e a consequente diminuição da qualidade de vida contribuíram para este cenário negativo.

     É necessário mudar, resgatando a qualidade de vida perdida no tempo.     Neste contexto, Márcio Padilha explica como a inclusão da bicicleta no cotidiano das pessoas pode influenciar e ajudar nesta mudança.

 

JLN: Como a bicicleta pode ajudar neste caos instalado nas grandes metrópoles?

 

Márcio Padilha: A bicicleta é um equipamento que está associado a vários conceitos, como bem estar, saúde, qualidade de vida, sustentabilidade, conexão e liberdade. Ao longo dos anos, perdemos essa sintonia com ela (a bicicleta) devido ao aumento do trânsito, à falta de segurança e ao ritmo de vida. Chegamos ao limite, é necessário mudar. A bicicleta, além de simples, é uma ótima ferramenta para essa mudança.

 

JLN: Como inserir esse modal na vida das pessoas neste momento em que não temos tempo para mais nada?

 

Márcio Padilha: É preciso encontrar um verdadeiro significado de vida, pois esse modelo atual não oferece longevidade - as pessoas não têm tempo para cuidar da saúde, e, quando ficam doentes, param tudo o que fazem e tentam recuperá-lo. É um paradoxo. A proposta é encontrar uma maneira de utilizá-lo, cuidando da saúde e, consequentemente, diminuindo o estresse. O processo é lento, é verdade, mas algumas pessoas já viram que é possível. Quem muda o estilo de vida não se arrepende.

 

JLN: No Brasil, as grandes metrópoles estão preparadas para esta nova cultura?

 

Márcio Padilha: Estamos engatinhando neste processo, mas já demos um grande passo. Muitas capitais estão investindo em ciclovias e ciclofaixas, oferecendo condições para a população optar pela bicicleta. Veja o exemplo de São Paulo, onde, todos os domingos e feriados, o banco Bradesco fecha uma das faixas para os ciclistas poderem pedalar em segurança. São quase 100 quilômetros dentro da cidade que tem o pior trânsito do Brasil. Brasília é uma cidade privilegiada, pois, além de ser basicamente plana, tem a cultura implantada nas mais diferentes regiões. Além disso, o governo prometeu entregar 600 quilômetros de ciclovias até dezembro.

JLN: Você acredita que o brasiliense irá de bicicleta para o trabalho?

 

Márcio Padilha: Claro!  A questão é que essa mudança é um processo. Para o brasiliense ir de bicicleta ao trabalho, primeiro ele precisa ir à padaria, à farmácia, à lanchonete, ao restaurante, ao parque, e então ele poderá ir ao trabalho - se couber em sua vida -, mas isso leva anos. O problema é que as pessoas são imediatistas e mudança de cultura não é de uma hora para a outra, leva muito tempo.

 

JLN: Como a bicicleta é vista e percebida pela população e pelo comércio?

 

Márcio Padilha: Infelizmente, a bicicleta ainda é vista como um problema. A maioria dos estabelecimentos não aceita a entrada da bicicleta e, com a consequente popularização do uso, ou as empresas se adequam a esse novo conceito ou irão perder esses consumidores. Vi muitos ciclistas serem barrados em restaurantes, bares, lojas e até shopping centers por não poderem entrar com a bicicleta, ou não terem um local apropriado para guardarem as suas  bikes.

Muitos shoppings, em São Paulo, já se adequaram e construíram bicicletários incríveis para atrair esses clientes. Brasília está se movimentando para isso.

Criamos um projeto chamado Empresa Amiga da Bike, no qual damos uma consultoria às empresas interessadas em construir bicicletários, agradando esse novo cliente.

 

JLN: Países da Europa estão muito à frente do Brasil nesse contexto, por quê?

 

Márcio Padilha: Na Europa, a bicicleta é uma questão cultural. Quando estudamos a história de alguns países como Alemanha e Itália, vimos que, a partir da 2º Guerra Mundial, a bicicleta era o único meio de locomoção devido aos ataques que destruíram as ruas e estradas. Isso a tornou mais popular. Atualmente, as cidades não têm estrutura para suportar tantos carros, por isso a bicicleta é o meio de transporte ideal.

 

JLN: Lembro-me da campanha histórica de um fabricante de bicicleta em 1978: “Não esqueça da minha Caloi”. A bicicleta ainda é o sonho de toda criança? 

 

Márcio Padilha: Acredito que ainda seja e, analisando o que aconteceu na estrutura familiar nas últimas décadas, quando a mãe foi em busca do seu espaço no mercado de trabalho, muitos  pais não puderam ensinar seus filhos a andar de bicicleta, além de não terem a segurança de deixá-los na rua; surgiu, então, uma geração que não sabe andar de bicicleta, a geração do vídeo game, e isso fez com que algumas dessas crianças trocassem o sonho de uma bicicleta por um Nintendo, Xbox ou Wii. Neste momento, em que a bicicleta volta com força total, vamos ter uma explosão desse modal a partir de 2014. Arrisco-me a dizer que o Brasil não é o país do futebol, e sim o país da BICICLETA.

 

Boas pedaladas

  

Márcio Padilha

Empresário, palestrante, especialista na cultura da bicicleta, conheceu o sistema de mobilidade urbana de diversos países como: Itália, França, Suíça, Espanha, Estados Unidos e idealizador do projeto Brasília Amiga da Bike, que tem como objetivo de transformar a capital do Brasil na cidade da bicicleta, a “Amsterdã Brasileira”.

 




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